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Harrisson Ford fala sobre Indiana Jones 4 domingo 2 março, 2008

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Em entrevista à revista Época dessa semana, Harrison Ford fala aos jornalistas Bruno Segadilha e Fábio M. Barreto sobre a experiência de voltar à pele do arquólogo mais famoso do cinema.

 

No dia seguinte à entrega do Oscar 2008, Harrison Ford concedeu esta entrevista a ÉPOCA como parte da primeira rodada de divulgação de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, um dos filmes mais aguardados do ano, com estréia prevista para maio. Ele falou sobre como foi se reunir mais uma vez com a equipe dos três primeiros filmes da série, em que tipos de produção prefere trabalhar e ainda respondeu sobre suas opiniões políticas.

Aos 65 anos, Ford fala sobre o personagem com a mesma vivacidade e empolgação de 19 anos atrás, quando a terceira parte da aventura foi lançada. A animação é ainda mais evidente quando o assunto é a poderosa equipe reunida para o retorno do herói: Steven Spielberg, George Lucas, a produtora-executiva Kathleen Kennedy e o produtor Frank Marshall, pessoas que, segundo ele, são como uma “família”.

O resultado dessa forte união aparece nas telas na forma de um vigoroso herói que não pensa em aposentar o chicote. Desta vez, o antropólogo vivido por Ford mergulha na mitologia maia para encontrar um lendário crânio de cristal que pode lhe revelar poderes magníficos. Além disso, Indiana volta a lidar com figuras de seu passado, como o filho Mutt Willians (Shia LaBeouf), que em pouco tempo se envolve nas aventuras do pai. O filme foi rodado no Novo México, no Havaí e em Foz do Iguaçu.

ÉPOCA – Há alguma complicação para a volta de um personagem e de um filme de ação como esse 20 anos depois, além, óbvio, da passagem do tempo?
Harrison Ford – Hoje, o Indiana Jones tem um conhecimento, uma visão diferente das coisas. Ele é um personagem que sempre pode ser mais explorado, tem ótimos relacionamentos e sempre algo novo para mostrar. É ótimo representar de novo o personagem, em um filme para a nova geração. Quando terminei de me vestir, toda essa experiência e perspectiva voltaram. Pus o chapéu e Indiana voltou. E ainda bem que a roupa original ainda me serviu. Consegui manter a mesma forma por 20 anos, o que é uma façanha. Foram 80 dias de filmagem com um só de folga. Mas tudo correu bem.

ÉPOCA
– As filmagens podem ter levado menos de três meses, mas o roteiro virou novela e parecia que nunca ficaria pronto…
Ford – Na verdade, tínhamos pensado no projeto há cerca de 12 anos. Mas não deu certo. Demorou certo tempo para que eu, George Lucas e Steven Spielberg encontrássemos um jeito de juntar todos, de forma que o projeto fosse interessante para todo mundo, que o roteiro valesse a pena. E tinha de ser um grande filme, porque a expectativa em torno dele é muito grande.

ÉPOCA – Por que tanto zelo e preocupação, já que o personagem é querido e tem gerações de adoradores?
Ford – É exatamente por ele ser especial para mim e para o público. São os espectadores que chancelam meu trabalho com seu dinheiro nas bilheterias. A história tem de ser boa, e quem a conta também. Caso contrário, o público escolhe outro contador. É simples assim. Não posso ser aquele tipo de ator que coloca um nariz de borracha ou maquiagem pesada para parecer outra pessoa. Acredito que meu público goste de me ver – jovem ou um pouquinho mais velho –, e tenho de atender a esse tipo de demanda. Por isso, fiz todas as cenas de ação. E o filme precisa valer a pena, pois seria um desrespeito filmar uma história qualquer só por dinheiro.

ÉPOCA – Aos 65 anos, você ainda interpreta heróis de ação. Como consegue isso? A idade não atrapalha?
Ford – Acho que é o que me mantém saudável e ativo. Eu gosto muito de fazer isso. Não malhar pesado, só quando tenho de fazer um personagem que me exija isso. Aí, faço bastante exercício, mas por um tempo. Para mim, é mais uma questão de manter tudo em cima, fazer com que o corpo siga trabalhando. Normalmente, vou à academia três vezes por semana e fico lá por 40 minutos. Gosto de jogar tênis também. Coisa leve.

ÉPOCA – O personagem Indiana Jones, às vezes, é politicamente incorreto. Ele leva alguns objetos históricos dos países por onde passa. O que você acha disso?
Ford – É verdade, eventualmente ele rouba algumas relíquias. Mas, antes de tudo, ele é um arqueólogo. Sua intenção inicial é estudar os objetos, e não roubá-los. Ele se interessa por aprender, é fascinado pelo mistério dessas coisas. Ele não usa as pessoas, não abusa dos lugares por onde passa. Mas, enfim, ele não é perfeito, erra de vez em quando. É o que o torna interessante.

ÉPOCA – E o professor de arqueologia tem planos de se aposentar?
Ford – Esse assunto nunca foi mencionado. Ainda há muito o que ser explorado com Indiana Jones (risos)!

ÉPOCA – Sua imagem é associada a heróis: Indiana, Han Solo (Guerra nas Estrelas), Jack Ryan (o agente da CIA de Jogos Patrióticos)… Você gosta do conceito de herói?
Ford – Tenho orgulho de Indiana Jones. Han Solo foi importante, embora não deseje voltar a ele, pois ele era meio bobo. E Jack Ryan eu também voltaria a fazer, tem muito a ser explorado. Porém, ser herói não faz sentido. Ninguém assina contrato para viver um “herói”. Vivemos personagens e pessoas que, às vezes, precisam praticar atos de heroísmo. Mas é pretensioso considerar-se um herói. Um dia, alguém decidiu que precisávamos de heróis no cinema e, a partir daí, todo filme ganhou um. Mas muita gente se esquece de que herói mesmo é um bombeiro que se arrisca por uma criança.

ÉPOCA – As pessoas deixaram de ir ao cinema para ver um ator em especial?
Ford – A década de 80 foi um dos períodos mais saudáveis para os filmes. Não existia DVD, o VHS estava começando e as pessoas iam ao cinema, pois era o único jeito. Hoje, criaram-se vários públicos. Há quem goste de ficar em casa, há quem continue seguindo atores e há aquele pessoal, especialmente jovens, que gosta de sair e aproveitar o bom e velho escurinho do cinema. Assim, os jovens se tornaram os espectadores mais consistentes.

ÉPOCA – Quanto a ser astro, houve mudança nestes 20 anos?
Ford – Os jovens têm afinidade com os atores da idade deles, pois querem ver a história deles mesmos. Não faria sentido me ver fazendo de conta ter 30 anos. O público precisa de caras da minha idade.

ÉPOCA – Acredita em uma chance de mudança nos EUA neste momento de eleições?
Ford – Claro. É necessário reinventar nossa economia, criar mais empregos para os jovens e voltar a prosperar. Precisamos de mudança, de disciplina focada, e parar de fazer um monte de coisas que estamos fazendo, como desperdiçar dinheiro em áreas erradas. O país estabeleceu objetivos altos, embora não cheguemos muito perto deles. Mas perdemos nosso ideal ao longo dos anos. É como se ele tivesse se desgastado, assim como os rostos no Monte Rushmore (a montanha onde foram esculpidos os rostos de quatro presidentes americanos). Este país sempre funcionou bem sob uma “liderança messiânica”, que recobra os ideais. Agora, temos este jovem líder, poderoso e idealista, Barack Obama, se erguendo. Ele pode dar um novo coração a este país e operar a mudança de que precisamos, e rápido.

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Redes de tv americanas preparam-se para voltar ao trabalho quarta-feira 6 fevereiro, 2008

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Possibilidade de acordo acelera planos de contingência

Por Nellie Andreeva para o The Hollywood Reporter
Traduzido e adaptado por Davi Garcia

Depois de quase 3 meses, os telefones dos agentes começaram a tocar de novo na última segunda-feira em função do burburinho surgido no final de semana em Hollywood apontando o iminente fim para a greve dos roteiristas.

As conversações ainda estão na fase exploratória uma vez que o acordo entre os roteiristas e os estúdios ainda está sendo finalizado, contudo o plano de contingência traçado pelas redes de tv e pelos estúdios aponta que séries já conhecidas voltariam ao ar na média de quatro semanas (caso das comédias) a seis semanas (caso dos dramas) depois do anúncio oficial de término da greve.

Quão rápido cada série pode voltar à produção depende do status dos roteiros antes da greve. O tempo de preparação necessário para as comédias seria de duas semanas e para as séries dramáticas mais elaboradas quatro. Contudo, as redes não devem dar sinal verde para que todas as séries voltem a produzir novos episódios essa temporada, o que não significa necessariamente que essas séries serão automaticamente canceladas.

“Cada rede de tv precisa decidir quais séries voltam para terminar a temporada”, disse um executivo de canal.

Algumas séries novatas e dramas mais complexos podem não ter novos episódios essa temporada mas poderiam ser confirmadas para a próxima dando a seus times criativos tempo para trabalhar, dizem algumas fontes. Dentre as séries apontadas como prováveis candidatas a retomarem suas produções no verão estão Heroes da NBC, que poderia ter uma exibição prolongada na próxima temporada, e a elogiada Pushing Daisies da ABC.

Contudo, outros apontam que as redes podem querer ter mais episódios de todas as suas séries prontos como contingência caso uma greve dos atores aconteça no meio do ano.

24 Horas da Fox também é uma das séries apontadas como uma das que prontamente retornarão à produção. Apesar da provável possibilidade da série não ter novos episódios exibidos nesta temporada, ela seria retomada rapidamente para evitar a perda de alguns dos atores necessários para o arco dos 24 episódios e cujos contratos vencem em breve.

Outras que também devem ter suas produções retomadas rapidamente são: Grey’s Anatomy, Lost, Desperate Housewives e Brothers & Sisters da  ABC; a franquia CSI, Without a Trace e Cold Case além das comédias Two and a half Men e The Big Bang Theory todas da CBS e Til Death da Fox.

The Office daNBC tem um roteiro pronto para ser rodado, já que à época do início da greve dos roteiristas, Steve Carell (estrela da série) recusou-se a cruzar a linha dos piquetes para trabalhar.

O fim da greve também trará respostas sobre o futuro das séries de baixa audiência que foram colocadas no limbo por causa da greve. Não se espera que sejam solicitados novos episódios de séries como Big Shots da ABC, Cane da CBS, Jounrneyman da NBC e K-Ville da Fox, embora algumas fontes indiquem que Cane ainda pode ter chances de sobreviver já que é a única que tem vários roteiros prontos.

As coisas ficam mais complicadas quando o assunto são séries em desenvolvimento. Todas as redes com exceção da NBC deram adeus ao desenvolvimento de novas séries no mês passado por causa da greve. Elas ainda podem optar por lançarem pilotos nessa temporada, mas quando a greve acabar, elas estarão em um período no qual normalmente todos os pilotos já receberam sinal verde ou não. E por isso para ter algo novo na tela, elas teriam que recorrer aos rascunhos discutidos antes já que poucos novos roteiros foram entregues antes da paralisação.

Poucos pilotos incluindo The Oaks da Fox e o filme/piloto da Supermáquina da NBC,  foram filmados durante a greve. Vários outros incluindo The Man of Your Dreams da NBC e os dramas da Fox The FBI e Saint of Circumstance estão programados para entrar em produção logo após o fim da greve.

Um iminete fim da greve não traria qualquer mudança aos planos das redes de tv a cabo americanas.

Caso a greve termine no final do mês, roteiros seriam produzidos logo depois para os dramas The Closer e Saving Grace da TNT que poderiam ser exibidas ainda durante o verão americano conforme eram esperadas.

Já para as séries do canal USA, um portavoz declarou que a programação de verão do canal também permaneceria praticamente intacta se a greve terminar ao longo das próximas semanas. As datas de estréia de algumas séries teriam que ser adiadasmas apenas por algumas semanas.

Já o Showtime também não enfrentaria problemas, uma vez que as gravações da segunda temporada de The Tudors já foram encerradas e as de Brotherhood, Dexter e Californication não devem começar antes de junho.

BORAT está morto segunda-feira 24 dezembro, 2007

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É o que confirma o ator e comediante britânico Sacha Barton Cohen sobre o personagem que lhe rendeu fama internacional e definitivamente lhe abriu as portas de Hollywood. Mais detalhes no texto a seguir postado pela Associated Press.

Borat está morto.

Sacha Baron cohen disse ao The Daily Telegraph que ele está aposentando o jornalista sem noção do Cazaquistão, bem como seu outro alter ego, o rapper aspirante Ali G.

“Quando eu fazia Ali G e Borat algumas vezes eu entrava nos personagens por 14 horas ou mais e eu acabei amando-os, portanto admitir que nunca mais irei fazê-los é uma coisa triste”, disse o ator e comediante de 36 anos na edição da última 6ª feira do jornal britânico.

“É como dizer adeus a alguém amado. É difícil, e o problema com sucesso, embora seja fantástico, é que cada nova pessoa que assiste o filme do Borat é uma pessoa a menos que eu poderia ‘pegar’ usando o Borat, então é uma situação em que você mesmo se derrota.”

Baron Cohen apresentou Borat Sagdiyev – um anti-semita à procura de Pamela Anderson – às massas no ano passado com a comédia arrasadora , “Borat: O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão”. Antes ele já havia apresentado o personagem na série “Da Ali G Show”, que era exibido nos EUA pela HBO.

“É muito mais fácil para mim estar como o personagem e é muito mais divertido”, disse ele. “Se eu tivesse feito toda a campanha de divulgação para o filme como eu mesmo, ele não teria alcançado o sucesso que atingiu.”

Baron Cohen pode ser visto atualmente como um barbeiro cantor no novo filme de Tim Burton “Sweeney Todd” co-estrelado por Johnny Depp e Helena Bonham Carter.

Licença para buscar um James Bond mais profundo segunda-feira 10 dezembro, 2007

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O texto abaixo foi publicado ontem no jornal The New York Times, nele Marc Foster, diretor do próximo filme do agente 007 fala sobre como foi seu primeiro contato com o personagem, como o enxerga para a continuidade da franquia e conta ainda sobre a experiência de ter feito a adaptação para as telonas do bestseller O Caçador de Pipas.

Mark Foster

Por TERRENCE RAFFERTY

Traduzido e adaptado por Davi Garcia

“Eu realmente não lembro qual foi o primeiro filme de James Bond que vi”, disse o homem magro e de fala mansa no sofá da suíte da Waldorf Towers. Com um leve sotaque alemão, ele acrescentou: “Acho que foi em meados dos anos 80, porque não havia televisão na minha casa, e eu não via muitos filmes até então. Roger Moore estava nele, eu acho”.

Provavelmente é justo dizer que ninguém que viu “Octopussy”em 1983 ou “A View to a Kill” (Na Mira dos Assassinos) dois anos depois, os dois últimos dos sete filmes estrelados por Moore como 007, guarda uma memória vívida disso. A afirmação do homem é um pouco surpreendente, simplesmente porque ele é Marc Foster, o cineasta que irá dirigir a próxima investida da franquia de ação mais longeva do cinema, e que por enquanto é conhecida como “Bond 22”.

Foster, cujo segundo filme, a história de amor interracial “Monster Ball” (A Última Ceia) de 2001, rndeu um Oscar de melhor atriz à Halle Berry, e cujo terceiro, “Finding Neverland”(Em Busca da Terra do Nunca) de 2004, recebeu sete indicações, incluindo melhor filme, está em Nova York promovendo seu sexto e mais recente filme, “The Kite Runner” (O Caçador de Pipas), adaptação do best selller de Khaled Hossein que se passa no Afeganistão.

“O Caçador de Pipas foi um filme muito difícil de fazer, emocionalmente e fisicamente”, disse Foster. “Estávamos filmando em uma parte muito remota da China, fazendo tudo através de tradutores porque haviam quatro línguas – inglês, mandarin, e duas línguas afegãs, o dari e um pouco de pashto. Estávamos tão distantes de tudo que haviam atrasos constantes para conseguir mais rolos de filme e mesmo comida. Além disso estávamos em altitudes extremamente altas, dormindo em cabanas, e à noite ficava muito frio. A experiência toda foi muito cansativa”.

E os problemas não terminaram com as gravações. O temor pela segurança dos dois garotos afegãos envolvidos em uma cena de estupro forçou o adiamento do lançamento do filme até os garotos conseguirem se mudar de Kabul. (Eles agora estão nos Emirados Árabes)

Por tudo isso, Foster deve ser um dos poucos diretores de cinema disponíveis para quem a complexa logística de um filme de Jamres Bond soe como um grande alívio.

No dia seguinte à entrevista, ele foi ao Panamá na intenção de ver possíveis locações para “Bond 22”. (Algumas semanas mais tarde, por telefone de Londres, ele disse que a viagem incluiu uma esticada ao Chile, e um sobrevôo no Brasil). Àquela altura ele esperava receber o novo rascunho do roteiro escrito por Paul Haggins, antes da greve dos roteiristas estourar, e o cronograma indicava que as filmagens começariam em meados de dezembro. O roteiro acabou chegando duas antes da greve começar, e Foster estava bastante entusiasmado. “É um roteiro que eu posso filmar”, disse ele.

Mas é uma coisa complicada ser diretor de um filme de Bond, o que deve explicar porque durante as três primeiras décadas da franquia, poucos ganharam a oportunidade de trabalhar com aquele universo. Entre o debut do agente com licença para matar do MI6 criado por Ian Fleming em “Dr. No” (1962) a “License to Kill” em 1989, o comandante da franquia, Albert R. Broccoli, dono da Eon Productions, lançou 16 filmes de Bond, sendo que todos com exceção de um, foram dirigidos por nomes como Terence Young, Guy Hamilton, Lewis Gilbert ou John Glen; a única exceção foi “On Her Majesty’s Secret Service”(1969), dirigido por Peter Hunt, que dirigira a segunda unidade de vários filmes anteriores. A indústria chamada Bond era um clube bem fechado, ou para colocar um tom mais sinistro, uma organização com os moldes da Spectre – cujos segredos não deviam ser divididos com quem estava de fora.

Um certo, digamos, ar de segredo ainda se aplica. Tudo o que Foster pode dizer sobre a trama de “Bond 22” é o que já foi divulgado. O clube porém, já não é mais tão exclusivo como era. Foster é suiço, o que faz dele, (e ele nota isso com certo orgulho), o primeiro diretor fora do reino unido com a honra de receber a missão de guiar o veículo chamado Bond até seu (presumivelmente lucrativo) destino. (Talvez os mantenedores da chama de 007 acreditem que Foster, assim como os banqueiros de sua terra natal, seja bem discreto). E ele é, admite logo, “não sou um diretor de filmes de ação”. Além dos filmes “A Última Ceia”, “O Caçador de Pipas” e “Em Busca da Terra do Nunca” (sobre James M. Barrie e Peter Pan), seu currículo traz a comédia de auto reflexão “Mais estranho que a ficção”de 2006, e dramas de horror psicológico como “Everything Put Together” (2001) e “Stay” (2005).

A habilidade de gerar suspense usando alguns dos estados emocionais mais incomuns podem serví-lo bem em sua nova tarefa, porque Bond, conforme a encarnação mais recente de Daniel Craig em “Casino Royale” de 2006, parece, como diz Foster, “muito isolado, um homem ferido e perturbado em algum sentido”. O Bond de Craig é para ele, “uma interpretação completamente nova do personagem”, disse ele. “Esse James Bond é mais sombrio, mais atormentado. Ele é mais humano, em um certo sentido”.

E isso, disse ele, é a qualidade que permitirá que a franquia continue. “Nos anos 60 e 70, quando Sean Connery e Roger Moore faziam o papel, grande parte do apelo dos filmes de James Bond eram as locações exóticas, mas isso já não é mais um atrativo”, afirmou Foster. “As pessoas viajam muito mais agora, e com a internet sabem como o resto do mundo é. Dessa forma, o destino mais interessante para um filme de James Bond é buscar o interior do personagem”.

Sua menção aos filmes dos anos 60 e a Sean Connery foram um lembrete e tanto de que muito além de seu status de ‘não britânico’, o que realmente o separa de todos os diretores anteriores dos filmes de Bond, é o fato de que ele é o primeiro a ter nascido depois do período mais popular da série. Os canônicos filmes de Bond feitos por Connery – “Dr. No,” “From Russia With Love,” “Goldfinger,” “Thunderball” e “You Only Live Twice” – já eram história quando Foster chegou ao mundo em 1969.

A Guerra Fria de onde este sofisticado e impecavelmente vestido super espião emergiu, ainda continuou por mais duas décadas, mas a plausibilidade de Moore como o salvador do mundo livre (ele assumiu o papel em 1973) era consideravelmente menos potente que a de Connery; e em função disso, o valor fantástico de 007 à época em que Foster viu seu primeiro Bond, estava significativamente diminuído. A ascensão do feminismo trouxe a tendência de tornar o comportamento hedonista do charmoso agente, que habitou o imaginário de muitas jovens, um pouco suspeito.

E isso pode ter sido o único problema de difícil solução da série: como manter Bond sexy sabendo que as mulheres – mesmo as mais ‘saidinhas’ – podiam ter como propósito, o plano de ter em suas camas o servo britânico de boas feições. “Quando comecei a ver os filmes”, Foster disse, “seus realizadores realmente nem se importavam com isso. Acho que quando tentaram distanciar-se do velho estilo de atitudes sexuais pré-feminismo, eles apenas tiraram o foco do sexo e colocaram nos acessórios inventivos, os chamados gadgets”.

Quando o trabalho lhe foi oferecido, Foster disse, “Eu fiquei surpreso, e precisei pensar muito se queria fazer ou não. Não tenho certeza se seria capaz de encontrar um caminho novo para Bond antes de Daniel Craig tê-lo re-inventado”. Mas sua intuição lhe disse, no final, que aceitasse o desafio, o tipo de intuição que até agora resultou em uma filmografia variada e isso ele admite, não é algo que ele compreenda totalmente.

“Eu apenas tenho a sensação sobre algo”, disse ele. “Com ‘O Caçador de Pipas’, a história me moveu, e eu não sabia ao certo porque. O pai do personagem principal quer que ele se torne médico, mas acaba morrendo de câncer. E até ver o filme eu não havia me dado conta que o meu pai queria que eu fosse médico e morreu de câncer. Honestamente, isso não me ocorreu até que o filme estivesse finalizado, mas isso deve ter tido algum efeito”.

O fato de ser o primeiro diretor de um filme de Bon que é jovem demais para se lembrar dos originais não o assombraram, até isso ser apontado para ele. Isso deve ser a coisa mais interessante sobre esse casamento não intuitivo entre cineasta e filme: Depois de mais de 45 anos de 007, finalmente vamos ver como esse guerreiro usando smoking é através dos olhos de um diretor cujos pontos de referência não são “The 39 Steps” e “North by Northwest” mas sim “Aliens” e “Duro de Matar”. (Esses são os filmes que Foster aponta como alguns de seus filmes de ação favoritos.) Como James Bond pode atingir alguém para quem o personagem não só é meramente mítico, mas remotamente mítico, como Beowulf?

Mas Marc Foster tem uma outra idéia sobre os motivos que o qualificam como a escolha certa para fazer “Bond 22”, e porque esse é o filme certo para ele. “Vocês sabem, a mãe de James Bond é suíça”, disse ele. “Isso fará tudo valer a pena”. E ele parecia arquear uma sobrancelha ao dizer isso.